Categoria: Artigos
Data: 09/02/2026
Introdução/Contextualização
Em tempos passados existia um grande império. O senado desse império decidiu
conquistar mais uma região para converter-se em província. Então, como sempre fizeram,
eles enviaram seu exército, seu general vitorioso e também seu “presbeutes”, que
significa embaixador. A função desse oficial era acertar os termos de paz com os
derrotados e estabelecer uma nova constituição para administração daquele território. Ao
chegarem no local, a batalha foi inevitável e, mais uma vez, o grande império venceu.
Após a vitória, o embaixador percorria a cidade destroçada e conversava com os
moradores sobreviventes. Depois de uma longa caminhada, ele se depara com um
senhor, cabisbaixo e triste, com uma garrafa de vinho na mão, sentado em frente ao que
sobrou de sua casa. O jovem embaixador percebe algo familiar naquele senhor. Então, ao
abordá-lo e perguntar de onde ele era, o homem diz: “Sei bem o seu papel, eu já estive
no seu lugar”. Aquele senhor não só era um cidadão, ele já havia sido um embaixador
em várias conquistas de sua terra.
Nesse momento, o embaixador se compadece de sua situação e diz: “Eu estou
aqui para te ajudar, meu senhor; quero te dar esperança”. O homem responde: “Minha
casa está destruída, minhas roupas foram queimadas na luta, só tenho esses trapos que
nem cobrem minha nudez; sou de um povo inimigo e derrotado. Me desculpe, mas você
não pode me dar esperança; então, deixe-me embebedar para amenizar essa dor”.
O jovem embaixador agachou-se, olhou nos olhos daquele senhor e disse: “Meu
senhor, se sua esperança estiver na sua terra, realmente você se frustrará. Eu estou
oferecendo uma nova vida, onde você será recebido como cidadão honrado, terá uma
nova casa e roupas novas, e poderá até ser embaixador também. O que acha?”
O que vocês acham? É sobre essa resposta que refletiremos em 2 Coríntios 5.

1. Mostra o vazio do propósito (v. 1-10)
(v. 1-5) Paulo então diz que, ainda que o sofrimento o alcance e seu corpo seja
destruído, há uma esperança maior, que é a casa na qual ele irá morar e as roupas com as
quais será vestido na eternidade. Não serão feitas por mãos humanas, nem serão
desgastadas, pois são construídas por algo eterno, testemunhado pelo Espírito de Deus.
Todos vivemos momentos de grande tribulação, que parecem nunca acabar. Mal
suportamos um problema e já encaramos outro. Tem dia que nos sentimos como uma
casa velha, destruídos, sem esperança, sem saber por onde começar o conserto. Outros
dias, como alguém sem roupa: envergonhados, expostos, sem saber como se proteger.
Mas, muitas vezes, o motivo é porque nosso propósito está totalmente vinculado à esta
vida. E a voz do Espírito, que deveria nos lembrar do bom caminho, é silenciada pelos
momentos de alegria passageira desse mundo caótico; até cairmos no vazio novamente.
(v. 6-10) O apóstolo vive por fé. Isso não significa que ele não sofre com as
angústias e tribulações, mas que a fé o leva a viver essas dores e sofrimentos agradando
a Deus em tudo. Até porque ele alerta aos coríntios que todos prestarão contas a Deus.
Muitas vezes seguimos em direção contrária a essa reflexão, pois, diante das lutas
e tribulações, em vez de buscarmos viver um propósito de fé, nós nos distanciamos e
chegamos ao ponto de usar a tribulação como desculpa para os erros e falhas,
desagradando a Deus. Nos corrompemos, enchemos a cara, estouramos com nossos
familiares, traímos, expressamos ódio, não cumprimos nossos compromissos. No fim,
ignoramos o fato de que prestaremos contas de nossos atos, independente da dor.

2. É revelada na cruz (v. 11-15)
(v. 11-14a) Apesar de Paulo ter dito sobre a prestação de contas a Deus no
versículo 10, ele não quer fomentar o medo de Deus, mas sim o temor. Algo que está
acima da aparência; é uma consciência de que, apesar das lutas e dificuldades, todas as
suas atitudes, quer sejam as mais loucas, quer sejam as mais sóbrias, elas estão a serviço
de Deus. Isso é temor: uma gratidão a um amor que constrange. O que isso significa?
Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança, como filhos amados. Mas o
ser humano parece ter esquecido desse amor e, ao ser tentado pela possibilidade de
usurpar o lugar de Deus, o caos foi gerado. Lutas, tribulações, tentações... tudo vem para
afastar o ser humano de Deus e aumentar seu vazio.
(v. 14-15) Mas Deus, sempre na intenção de ir em direção à humanidade, em um
momento da história se fez carne na pessoa de Jesus. Ele viveu entre os homens e, sem
pecado algum, agradou a Deus em tudo, ensinando sobre o verdadeiro temor. Ainda
assim, por seu amor que constrange, ele deu sua vida na cruz para pagar pelos nossos
pecados, assumindo a nossa morte para que sua vida e ressurreição trouxessem vida para
aqueles que estão em Cristo.
Assim, não temos uma relação com Deus por medo. Não buscamos agradá-lo
porque ele vai pesar a sua mão em nossas vidas. Não! É por causa do seu amor que nos
constrange que podemos morrer para nossas vontades, prazeres e justificativas; é por ele
que suportamos as lutas e tentações sem nos afastarmos da retidão. Ele nos amou tanto,
foi tanto perdão, que por essa graça somos fortalecidos a viver a vida de Jesus.

3. Molda nosso propósito (v. 16-21)
(v. 16-17) Paulo agora lembra os coríntios de que o ponto de vista em relação a
Cristo e às pessoas não é mais um olhar humano, mas um olhar espiritual; afinal, em
Cristo, os coríntios não andam segundo os desejos. Agora, tudo se fez novo.
Como nova criação, nosso propósito é olhar as pessoas, não mais com um olhar
carnal, mas espiritual. Eu sei, esse é um grande desafio, mas é isso que novas criaturas
fazem. Em Cristo, olhamos para as pessoas de nossas relações não mais com um olhar
que só vê defeitos e perdição, mas sim com um olhar que enxerga um potencial de nova
criação. Aliás, nessa nova criação, não podemos olhar mais para Cristo como um conceito
distante, mas sim como uma pessoa real, que nos acompanha em todos os instantes.
(v. 18-21) Paulo conclui o texto ressaltando o ministério da reconciliação, em que
os pecados do passado ficam para trás. E dois desafios são apontados: sejam
embaixadores desse reino que justifica pecadores injustos e reconciliem-se com Deus.
Reconcilie-se com Deus. Talvez sua realidade seja desse embaixador que teve sua
terra invadida, você tenha estado longe, distante do Pai, andou por caminhos tortos e
tem o seu passado pesado; isso gerou lutas e tribulações insuportáveis. Saiba que o seu
passado é apagado pela fé em Cristo, que não há mais fardo a carregar e você pode
caminhar com Deus como nova criatura a partir daqui e se tornar embaixador do reino
eterno.

Mas você, que já faz parte desse reino, você que quer fazer parte, somos
chamados para sermos embaixadores da reconciliação. Você, que foi alcançado e
justificado por Jesus: esse evangelho da graça não é para você ficar se deleitando nele,
mas para levar o perdão que apaga as mazelas do passado para os outros. Seja
embaixador do reino eterno, uma voz um desse amor que constrange.

Autor: Pastor Kariston   |   Visualizações: 39 pessoas
Compartilhar: Facebook Twitter LinkedIn Whatsapp

Deixe seu comentário