Categoria: Artigos
Data: 01/03/2026
Introdução/Contextualização
Eleazar era um homem preocupado com sua esposa e filhos; sempre trabalhou dia
e noite, suportando a opressão e a escravidão. Apesar da escassez, Eleazar sempre
reservou o que pôde para que nada viesse a faltar à sua família. Mas, agora, seu povo
está liberto e eles estão a caminho de construir uma cidade sem desigualdade social.
O problema é que a jornada até a Terra Prometida era longa, as reservas foram
acabando e Eleazar se encontrou em uma situação de extremo medo e insegurança. Para
agravar, um alvoroço começa em meio àquele povo, e a família de Eleazar se torna o pivô
da discussão. Isso porque o líder e libertador daquele povo era seu tio (um antigo
príncipe do império que descobriu recentemente sua origem).
Eleazar já tinha visto várias coisas sobrenaturais realizadas através de seu tio;
aquele homem parecia falar e ouvir a Deus. E, diante daquele alvoroço, não foi diferente:
seu tio se retirou para orar a Deus. No outro dia, Eleazar se levanta e vê o pão na sua
tenda: choveu pão do céu para todas aquelas pessoas.
Mas seu tio disse algo para o povo: “Deus mandou que cada um pegue a porção
necessária para o dia; assim, ninguém terá a mais ou a menos, todos terão de forma
igual”. Novo reino, novos hábitos! O problema é que Eleazar sempre se assegurou em
suas reservas; ele não estava acostumado com essa dependência. Assim, ele resolve
guardar alguns pães a mais, pensando: "E se amanhã não chover de novo? Melhor
reservar”. Fazia tempo que aquele pai dormiu com uma pena; afinal, ele já havia
garantido o alimento para o dia seguinte.
Então, ao acordar, a primeira coisa que ele fez foi ir até o cesto de sua família e se
alegrar diante de sua reserva. Porém, algo o surpreende: os pães estão todos
embolorados e com bichos. O desespero e a insegurança tomam o coração de Eleazar
de uma forma como nunca antes, e ele se pergunta: "Por que isso aconteceu? Eu só
queria reservar para não faltar!" É sobre essa resposta que refletiremos em 2 Coríntios 8.
1. Não está no retenção (v. 1-7)
(v. 1-2) Paulo usa o exemplo da igreja da Macedônia, uma igreja que passou por
muitas aflições. O próprio Paulo experimentou essas lutas enquanto esteve lá, mas ele viu
que essa igreja não retinha recursos, mas era generosa.
A maioria das pessoas vai concordar que nossa situação como país,
economicamente falando, é sempre de extrema luta e dificuldade, ou seja, sempre
estamos sem condições para sermos generosos. Só que esquecemos que sempre tem
alguém em uma situação pior que a nossa e poderíamos dividir o que temos. Mas
fazemos o contrário: nós retemos, poupamos, reservamos. Nos enganamos dizendo que,
na folga financeira, seremos generosos, mas esse momento nunca chega. E, infelizmente,
diante das aflições, deixamos a generosidade pela retenção.
(v. 3-5) Os macedônios não só foram generosos em algum tipo de campanha ou
projeto, como tiveram iniciativa na generosidade. Com alegria e dedicação, partiu deles.
Vale também destacar que nossa generosidade não deveria ser praticada só em
apelos, campanhas ou movimentos. Muitos pensam assim: “Eu sempre estive disponível
para ser generoso, é só pedir”. Pois é, mas essa é uma forma de reter. Em vez de termos
iniciativa em ser generosos e ajudar periodicamente, nos omitimos dizendo que ninguém
avisou e, assim, retemos nossa generosidade na falta de iniciativa.
(v. 6-7) Paulo, então, completa dizendo que os coríntios são cheios de fé, hábeis na
palavra, no conhecimento, no amor, mas lhes falta a generosidade.
O que mais encontramos hoje é gente dizendo que ama a Jesus. Dizem ser
discípulos, falam com Deus, conhecem muito de teologia, questionam se dízimo e oferta
estão na Bíblia, mas têm sido nulos na generosidade. Falam muito sobre a igreja cumprir
seu papel na sociedade, criticam até dizendo que a igreja deveria fazer mais, porém não
contribuem, não dizimam, não ofertam, não servem, não se interessam; escolheram reter.
2. É alcançada pela graça (v. 8-12)
(v. 8-9) Interessante Paulo dizer que isso não é uma imposição, não é uma ordem,
não é lei, pois a generosidade tem a ver com a sinceridade de coração. É um coração
que reconhece a obra da cruz, uma obra que nos tornou ricos. Que riqueza é essa?
Na criação, o ser humano era imagem e semelhança de Deus. Mas, ao escolher
depender de si e ter sua própria riqueza, nossos pais romperam com o Criador, e o
resultado foi o caos. A injustiça social é uma realidade presente desde sempre e só
aumenta. O medo e a desconfiança nos levam a deixar a generosidade e viver retendo.
Mas Deus enviou seu Filho, Jesus, que deixou toda a sua riqueza, todo um reino
glorioso que não tem falta de nada, para viver entre nós. Ele se fez homem e o mais
pobre, o menor de todos. Mesmo assim, ele manifestou sua generosidade. Sem termos
qualquer condição de pagar por algo, Cristo se entregou, derramando seu sangue para o
perdão da nossa falta de generosidade. Na cruz, a nossa pobreza de espírito foi
preenchida pela sua riqueza e, na sua ressurreição, nos tornamos ricos de espírito e
confiantes em seu cuidado e provisão para sermos generosos.
(v. 10-12) Paulo, então, completa esse raciocínio da graça dizendo que, em Cristo,
fazemos aquilo que planejamos, de acordo com o que temos.
Por mais que as aflições nos deixem com medo, por mais que as decepções nos
levem a desconfiar, por mais que nosso coração tente sempre reter, em Cristo podemos
praticar a generosidade, porque retribuímos a riqueza que nos alcançou. Em Cristo,
somos generosos para que essa obra alcance a outros, como nos alcançou. Em Cristo, o
mesmo zelo em sugerir algo na obra de Deus é manifestada na disposição em contribuir.
Em Cristo, reconhecemos com sinceridade o que Deus tem nos dado e o que podemos
realmente fazer pelo Reino.
3. Está na demonstração de amor (v. 13-24)
(v. 13-15) Para Paulo, a generosidade não é pesada, pois ela luta pela igualdade.
Assim, Paulo lembra da história do povo de Deus no deserto, que foi provido em tudo,
sem que ninguém tivesse mais, porque no reino busca igualdade (Êx.16.18).
No reino de Jesus, a ideia é que todos tenham o mínimo necessário. Então, se
Deus deu a mais, não é para retermos, mas sim para sermos generosos. Talvez você se
pergunte: “Mas e se amanhã eu não tiver?” Eu te digo: Deus levantará alguém no reino
para te suprir! Enquanto preparava essa mensagem, eu me deparava com a tragédia em
Juiz de Fora e região. Então, movidos por compaixão, nosso conselho aprovou uma
verba para uma igreja parceira e estamos em contato para suprir com mais. Neste ano,
estamos comprometidos com a plantação de uma Igreja Presbiteriana na cidade de
Andradas-SP, também com dois missionários (Timor Leste e Uruguai), além da prática de
auxiliar irmãos de nossa comunidade que passam por necessidade. Por quê? Porque a
generosidade não pode estar ligada a guardarmos muito para então sermos generosos,
mas deve estar ligada a não deixar o próximo desamparado. Assim, como discípulos de
Jesus, devemos ser sábios em ter algum tipo de reserva, mas não podemos ser guiados
por uma segurança nisso, pois sabemos que Deus proverá o que precisarmos, da mesma
forma como está nos usando para suprir quem não tem. Então, seja generoso.
(v. 16-24) Aqui, Paulo desafia a igreja de Corinto, dizendo que a prova do amor
pode influenciar outras comunidades, e essa prova é a generosidade.
Eu sei que muitos vão dizer da dificuldade de contribuir pelas lutas e dificuldades,
ou mesmo pelas difamações e escândalos de igrejas midiáticas ou qualquer outra
desculpa que possamos arranjar. Mas há uma verdade inegociável: a prova de que
amamos a Deus é a generosidade. Você precisa de consolo em meio às lutas e
dificuldades? Você precisa de portas abertas que aliviem seu momento difícil? Seja
generoso. Pare hoje de guardar pães a mais, eles vão amanhecer com bichos. A
generosidade é uma prova do amor a Deus e se torna exemplo para outros.