Categoria: Artigos
Data: 03/12/2025
Sinopse da série
Todos os dias, conferimos nossa aparência antes de sair de casa e o
espelho é o 
instrumento que reflete nossa imagem. Porém, é fato que
o espelho não reflete a 
imagem de quem realmente somos. O escritor
Leonardo Boff diz: "Como há um universo 
exterior, feito de
ordens-desordens-novas ordens, de devastações medonhas e de
emergências promissoras, assim também há um mundo interior,
habitado por anjos e 
demônios. Eles revelam tendências que podem
levar à loucura e à morte." Ou seja, 
"existe um mundo escondido em
cada um de nós.
A questão é: e se houvesse um espelho que refletisse a imagem interior? A
carta 
de Paulo à igreja de Corinto é esse espelho!

Contextualização do livro
Corinto era uma cidade cheia de diversidade promíscua e religiosa. Em
Corinto, a 
luxúria era o meio de adoração no templo da deusa Afrodite;
a força e a beleza eram 
motivo de honra nos Jogos Ístmicos, dedicados
ao deus Poseidon; o conhecimento era 
exaltado nos debates filosóficos
promovidos em praça pública. Prazeres sem limites, 
beleza e força, e
intelectualidade — essas são algumas das marcas da cidade de Corinto.
Existe alguma semelhança com o nosso mundo? O reverendo Hernandes
Dias 
Lopes vai dizer que: “Estudar essa carta é fazer um diagnóstico da
igreja contemporânea, 
é ver suas vísceras e entranhas. É colocar um
grande espelho diante de nós mesmos.”
Não tenha medo ou vergonha do que o texto irá expor de nossa 
realidade, pois é refletindo o caos que nossa imagem será aperfeiçoada.
Vamos juntos em 1 Coríntios 13, 
em “Uma conversa sobre amor”.

1- Refletindo o amor - v.1-3
(v.1-3) Paulo expõe um dom que pode ser buscado e praticado por nós. Sua
reflexão traz sempre um assunto junto a uma hipérbole: Conhecimento ao
ponto de falar 
o idioma dos anjos; espiritualidade ao ponto de mover
montanhas; doação ao ponto de 
queimar o próprio corpo. A reflexão de
Paulo aos coríntios é que eles podem fazer coisas 
boas e até impossíveis,
porém, sem amor, é só um som repetitivo que não tem valor.
Muitos acham que o segredo da completude é o conhecimento: Falar vários
idiomas, conhecer culturas, ter eloquência, inteligência e comunicação. 
Sim, isso tudo é ótimo, mas se você despreza ouvir seus familiares, se a 
amizade foi descartada, se não há amor, não passa de um som repetitivo, 
não tem transformação verdadeira.
Outros acham que o segredo para maturidade é a espiritualidade: Conhecer 
e ler teologicamente todos os assuntos ou viver experiências sobrenaturais. 
Sim, isso tudo é benção, mas quando você agride seus familiares, quando 
suas palavras machucam os irmãos da fé, se não há amor, você não é 
nada, não há identidade diante de Deus.
Ainda, alguns acham que o segredo de uma visão ampliada é a filantropia: 
Doar a várias instituições carentes, dar esmolas e até ser contribuinte fiel 
na igreja. Sim, isso tudo é desprendimento, mas se o seu ato é para aliviar 
a consciência das decisões consumistas ou para ser admirado, se não há 
amor, essa doação não vale de nada diante de Deus.

2- Corrigindo o amor - v.4-7
(v.4-7) Paulo destaca aqui as características do que é e do que não é amor. 
Parece que os coríntios pensam saber o que é amor, mas praticam o que 
não é amor. Aliás, tem muita gente dizendo que ama, mas, na prática, só 
se encontra inveja, vanglória, orgulho, ofensa, egoísmo, ira sem grandes 
motivos, rancor, alegria na injustiça. Tudo isso é o contrário do verdadeiro 
amor. Mas onde o amor foi desconfigurado?
No início de todas as coisas, Deus criou o ser humano à sua imagem e 
semelhança e havia uma relação de amor entre Deus e o ser humano. 
Porém, ao tentar usurpar o lugar de Deus, o ser humano coloca em 
prática o que não é amor, e todo esse caos nos alcançou. Nossas 
relações são deturpadas por um coração distante do propósito original.
Mas Deus, em um amor paciente e bondoso, enviou seu filho Jesus, que 
entrega a sua vida pelos nossos pecados para nos livrar desse caos. 
Jesus Cristo é a expressão máxima do amor de Deus (1 João 4.10). Ao 
terceiro dia, Jesus ressuscitou, nos dando um caminho que corrige o 
amor em nós (1 João 4.11-12).
Assim, Cristo ressignifica o amor. Como tem sido sua expressão de amor 
pelos seus familiares, amigos, irmãos, igreja? “Ah pastor, mas é difícil!” 
Sim, por nós mesmos é impossível. Mas, ao sermos alcançados por Jesus, 
o amor que é paciente e bondoso, que tudo crê, espera e suporta, a 
expressão do nosso amor precisa ser pautada em Cristo.

3- Aperfeiçoando o amor - v.8-13
(v.8-10) Paulo reforça que os dons são úteis para esse estado de
imperfeição, 
porém, eles não existirão mais quando o que é perfeito vier;
o amor, sim.
Jesus um dia voltará para restaurar todas as coisas. Diante desse
estado de 
imperfeição, os dons do Espírito nos animam e consolam,
então não podemos desprezar 
os dons de Deus: eles existem e são
importantes. Mas são manifestos quando e como o 
Espírito quer. Agora,
o dom do propósito original que permanecerá até o fim é o amor.
(v.11-12) Para ilustrar, Paulo diz que quando criança, ele tinha uma
percepção da 
vida. Ao se tornar adulto, sua consciência é ampliada, e
isso altera seu agir. Essa prática 
do amor é só um espelho embaçado
do que um dia viveremos completamente.
Sem Jesus, tínhamos um estilo de vida que condizia com alguém que não
vê a 
amplitude do reino, como uma criança inocente. Agora, alcançados
pelo evangelho de 
Jesus, não podemos mais viver um amor que se
mistura com inveja, orgulho, ofensa, 
rancor, não! Agora, nós assumimos
a responsabilidade diante da consciência de Cristo e 
decidimos praticar o
amor de Deus em todas as nossas relações. E, no fim, essa prática é 

um vislumbre do reino eterno, pois um dia, viveremos o amor de forma
natural.
(v.13) A fé é o meio pelo qual recebemos a salvação de Jesus Cristo, a
esperança 
é a expectativa confiante de que o Reino de Deus virá e o
amor é a expressão exterior da 
fé e da esperança. Fé no passado e
esperança no futuro resultam na práxis do amor de 
Cristo no presente.

Minha oração é Deus, nos perdoe porque nos apoiamos no conhecimento,
na 
espiritualidade, na filantropia e deixamos de lado o amor. Jesus, que em
sua vida 
possamos ressignificar o que realmente é o amor. Espírito Santo,
nos guie para um amor 
que não deixa de lado os dons do Espírito e nem
que se mistura com a velha vida, mas 
que vivamos o amor fundamentado
na fé e na esperança: o amor de Cristo.

Autor: Pastor Kariston   |   Visualizações: 60 pessoas
Compartilhar: Facebook Twitter LinkedIn Whatsapp

Deixe seu comentário