Categoria: Artigos
Data: 15/03/2026
Introdução/Contextualização
Alexandre era um latoeiro, alguém que trabalhava com cobre e bronze. Um dia,
ele recebe o convite para trabalhar na Grécia, a 470 km de sua terra. Depois de alguns
dias de trabalho, caminhando para a conclusão do serviço, o seu contratante o convidou
para um jantar em sua casa. Alexandre, feliz com o trabalho concluído, aceitou o convite.
Quando ele chegou à casa, havia alguns convidados, um belo banquete, e já o
chamaram para sentar e comer junto. Eles falavam com muita alegria e admiração sobre o
homem que havia compartilhado com eles alguns ensinos por cartas. Alexandre, curioso,
deu toda a atenção; conforme aqueles homens iam falando, Alexandre ia discordando de
muita coisa, mas, por educação, não quis falar e só ouvia. Enquanto ouvia, imaginou
alguém forte, ousado, de boa aparência, alguém muito bem apresentável.
Ao término do jantar, seu contratante disse: “Fique aqui, conheça este homem; ele
virá amanhã e você vai se surpreender”. Alexandre, pela gratidão e acolhimento, mas
também com vontade de discutir aquelas ideias, resolveu aceitar o convite.
No outro dia, ao chegar à casa, seu contratante o chamou: "Alexandre, seja bem-
vindo, deixa eu te apresentar um amigo”. Ao olhar a aparência, já imaginou ser algum
funcionário da festa ou algum pobre a quem seu contratante queria fazer o bem. Mas a
surpresa veio quando seu contratante disse: "Esse é o homem de quem te falei”. (Eu não
sei se você já passou por uma situação assim: alguém te conta sobre uma pessoa e você
imagina ela de um jeito e, quando encontra, é de outro. É frustrante, né?). Alexandre
estava frustrado; na sua frente havia um homem careca, baixinho, meio curvado, com
aquela barriguinha, roupas gastas e cara cansada. Era diferente do que pensou.
O homem importante perguntou: “Está surpreso, esperava mais?” Alexandre, para
não ficar por baixo e provocar o homem, disse: “Confesso que pelas suas cartas imaginei
alguém com autoridade, ousado, corajoso, mas o que vejo é alguém humilde e fraco.” O
clima se instalou, o contratante desconversou e a festa continuou. Em todas as mesas em
que Alexandre sentava, ele falava: “Como pode, alguém ousado em cartas, mas fraco
pessoalmente?” É nesse pano de fundo que vamos aprofundar em 2 Coríntios 10.
1. Discerne a real batalha (v. 1-6)
(v. 1-2) Paulo diz seguir o padrão de Cristo, manso e bondoso. Porém, alguns
críticos de seu ministério dizem que ele é ousado demais (confrontador) em suas cartas,
mas humilde demais (fraco) pessoalmente, e estão colocando o caráter de Paulo à prova.
Primeiro, quero destacar o consolo que é saber que até Paulo encarou esse tipo
de acusação em seu ministério. Aliás, o pregador é acusado de ser ousado demais,
quando não acusativo ou confrontador, e, em outros momentos, humilde demais, quando
não, leve e fraco. Isso quando não dizem sobre as indiretas na mensagem, como se
faltasse coragem para falar pessoalmente. É, a igreja hoje não é muito diferente.
Eu não quero afirmar que você deve engolir tudo o que ouve em uma mensagem;
porém, por mais que a intenção do pregador seja maliciosa (ele prestará conta disso),
muitas vezes ignoramos a palavra exposta com o argumento acusativo do pregador ser
fraco, leve, acusativo, confrontador ou falso, e não percebemos que colocamos no
pacote de padrões humanos aquilo que está no próprio texto da palavra de Deus.
(v. 3-6) Aliás, Paulo explica que isso tem um motivo: a maior guerra de quem vive o
evangelho está relacionada a conduzir o pensamento cativo à obediência a Cristo.
Infelizmente, não enxergamos que nossas batalhas não são apenas físicas e que a
batalha maior está em nossa mente, onde nossos pensamentos fortalecem os
argumentos que nos afastam da obediência a Deus. Talvez você pense: “Eu só conto uma
mentirinha, quem nunca?”; “Eu não fofoco, eu só dou minha opinião”; “Eu trato mal
porque ele(a) merece”; “Eu não sou ganancioso, só quero o melhor para a minha casa”;
“Não estou longe de Deus, é só a correria.” O tempo todo, os nossos pensamentos
fortalecem argumentos para a ganância, para o isolamento, para a fofoca, para a mentira,
para não servir, para irmos em direção contrária à obediência a Cristo.
2. Está na sinceridade que edifica (v. 7-11)
(v. 7-11) Corinto olha muito para a aparência. Qualquer um pode se dizer de Cristo
se baseando nas aparências, mas é a autoridade recebida de Deus para edificar que faz
alguém realmente ser de Cristo. Aliás, essa autoridade dada por Deus não é para impor
medo, mas o leva a viver com sinceridade em qualquer situação.
Essa é a questão. Na criação, o ser humano foi criado à imagem e semelhança;
todos viviam com sinceridade diante de Deus para edificar no reino dele no mundo.
Então, em Gênesis 3.2-5, a narrativa nos apresenta Satanás, na forma de serpente,
usando argumentos tentadores para o pensamento do homem ver vantagem em
desobedecer a Deus. E ao seguir esse caminho, o caos invadiu nosso mundo. Perceba: a
batalha de Satanás sempre é dar argumentos bons para desobedecermos a Deus e,
assim, ficamos presos ao caos em vez de olhar para o Senhor.
Porém, Deus não fica inerte a tudo isso, e, em um ato de amor incondicional, ele
veio à terra na pessoa de Jesus. E, enquanto estava aqui, amou seus discípulos, mas
também os confrontou. Com autoridade do céu, ele assumiu todos os nossos pecados,
entregando sua vida na cruz, sendo esmagado e moído por nossos delitos. Mas a morte
não o prendeu; ao terceiro dia, ele ressuscitou e seu espírito em nós destrói os
argumentos da desobediência e edifica o caminho da obediência a Cristo.
É em Cristo que paramos de ser pessoas falsas, que são leões pelas redes sociais,
mas não encaram o confronto pessoalmente. Em Cristo, podemos viver com sinceridade,
porque nossos pensamentos não estão mais cativos aos argumentos da desobediência,
que machucam as pessoas à nossa volta, mas nossos pensamentos estão guiados pela
autoridade da palavra, que nos confronta, que nos molda, que traz verdades duras, mas
importantes, que nos leva a edificar e não destruir.
3. Expande o evangelho (v. 12-18)
(v. 12-14) Paulo diz que não adianta se comparar com os outros e querer provar
frutos, pois a clareza dele está em saber que ele cumpriu aquilo que Deus confiou a ele.
Tenho aprendido algo que queria compartilhar com vocês: não são as pessoas que
medem nosso propósito e sim a clareza em Deus de cumprir aquilo que ele nos chamou
para fazer. Talvez você tenha vivido dias tristes, frustrados, até sobrecarregado, porque
você se compara com os outros. Não faça mais isso; viva a esfera de trabalho que Deus
te deu. Talvez essa esfera seja a sua família, seus amigos do trabalho, talvez seja em ser
um pastor de um rebanho desconhecido, talvez seja uma missão fora da cidade, talvez
essa esfera esteja mudando. Não importa a esfera de trabalho em que Deus te colocou, e
sim importa que você trabalhe ali, seja alguém que leve Cristo onde você estiver.
(v. 15-16) A esperança do apóstolo é que os coríntios cresçam em fé para o reino
continuar expandindo.
Observe se sua mente não tem te sabotado para você crescer em fé. Pare com as
picuinhas, com a fofoca, com as desculpas e com os argumentos para continuar sem
obedecer a Cristo. Pare de gastar tempo com coisas que só falam de nossos gostos e
percepções. Abrace a missão de Jesus e leve seu evangelho. Deus nos chamou para
expandir o reino; há limites a serem rompidos. Vamos em frente, levando nossa mente
cativa a obedecer a Cristo e compartilhando com esse mundo perdido.
(v. 17-18) A citação de Paulo é uma referência ao profeta Jeremias, no capítulo
9.23-24, onde o profeta deixa claro que os servos de Deus se gloriam em conhecer e
viver o senhorio de Deus. A aprovação vem do Senhor.
Podemos receber elogios dos outros, mas sermos desaprovados diante de Deus.
Podemos ser admirados por nossas capacidades teológicas, intelectuais, financeiras, mas
sermos desconhecidos de Deus. Pouco importa o que os outros dizem; o que importa é
ser aprovado por Deus. Que nossa mente esteja cativa a tudo aquilo que glorifica a Deus,
ao reflexo da sua palavra, a conhecer e viver o senhorio dele.