Categoria: Artigos
Data: 08/03/2026
Introdução/Contextualização
Lembra da história de semana passada sobre Eleazar? Para você que não esteve
aqui, eu contei sobre Eleazar, alguém que sempre deu o seu melhor, mesmo em meio a
um contexto de escravidão. Trabalhou e buscou a sua reserva financeira para ter a sua
própria segurança, mas, no deserto, Eleazar viu que isso não é tão simples.
Depois do maná bichado e de tantos outros momentos em que não foi possível se
assegurar em suas reservas, foi na experiência do deserto, vivendo com seu povo, seus
familiares e amigos que Eleazar aprendeu que confiar em suas reservas não era nada
seguro. O deserto sempre revela a fragilidade da força humana.
Ao mesmo tempo, algo impactou a história de Eleazar: em todos esses momentos
difíceis, onde a escassez parecia o fim, seu tio, que era o líder daquele povo, se recolhia,
orava a Deus e pedia por misericórdia. E em todos os momentos a provisão milagrosa era
vista. Mas Eleazar não aprendeu só com seu tio sobre a provisão de Deus. O pai de
Eleazar também o ensinou muito, quando ao atender ao chamado sacerdotal, se dedicou
totalmente a Deus, abrindo mão de recursos ou reservas para depender totalmente de
Deus, cuidando dia e noite dos itens de adoração e sendo sustentados por ofertas.
Pois bem, o tempo passou, seu tio partiu e, logo depois, o seu pai. Eleazar está
mais velho, mais maduro e, agora, ele é desafiado a colocar em prática tudo o que ele
aprendeu com seu tio e pai. De um homem que confiava em sua reserva financeira e vivia
pela sua força, Eleazar terá que aprender sobre semear e colher — ou seja, semear sua
vida e seu tempo, sem reservas e sem retorno garantido, para cuidar dos itens de
adoração a Deus, crendo que ele irá colher com fartura o que plantou com fartura. Que
grande desafio né? É nessa realidade que aprofundaremos em 2 Coríntios 9.
1. Não está na avareza (v. 1-5)
(v. 1-5) Paulo trata nesse primeiro trecho sobre a assistência aos da fé. Mas o ponto
em que ele desafia os coríntios, ao enviar alguns irmãos para encontrá-los, é que ele já
confiou na disposição e no compromisso que os coríntios deveriam ter com a
generosidade. O que Paulo espera é generosidade em vez de avareza (πλεονεξια -
desejo de ter mais).
Infelizmente, quando falamos de generosidade financeira, duas palavras são
pertinentes na relação com a avareza: disposição e compromisso.
Muitos de nós manifestam a avareza na falta de disposição — não para os
consumos e prazeres; aliás, sobra disposição para ter mais sapatos do que podemos
calçar, ou mais livros do que podemos ler, para usufruir de restaurantes e hobbies que
são caríssimos. Para isso nós temos disposição! Falta disposição para sermos generosos
com as tragédias dos outros, para fomentar a missão de Cristo; falta disposição para
abençoarmos com valores que não dão 1% do que gastamos com prazeres.
Outros de nós manifestam a avareza na falta de compromisso. Nos enchemos de
compromissos financeiros com a família, nos esforçamos para acompanhar os amigos,
queremos parecer bem financeiramente para os colegas de trabalho, nos
compromissamos com muitos investimentos e, nisso, não sobra espaço para qualquer
outro compromisso, principalmente aquele que não trará benefício próprio. Outros não
conseguem cumprir nem os próprios compromissos financeiros: são enrolados nas
contas, sempre estão pedindo ajuda para algum familiar, todo mês estão sufocados.
Imagina comprometer-se com uma causa que não trará vantagem ou benefício?
É na falta de disposição e compromisso em sermos generosos que vivemos na
avareza, sempre querendo mais, e nunca dispostos e comprometidos em abençoar.
2. Acrescenta a graça que semeia (v. 6-9)
(v. 6-7) O apóstolo aqui traz os contrapontos dos problemas da avareza relatados
acima. Primeiro: a disposição em semear — lembrando que toda a semeadura culmina
em uma colheita, como está nossa disposição em semear? Segundo: o compromisso com
alegria — lembrando que, quando fazemos com alegria, não mantemos um compromisso
por obrigação, mas por uma relação de amor. Difícil? Nem sempre foi assim...
Na criação, ninguém tinha falta de nada. Porém, o ser humano decide romper com
Deus e ser o seu próprio rei; então, o universo se desequilibrou, o caos nos atingiu e a
avareza tomou nossos caminhos. Em nosso coração só há disposição e compromisso para
o que nos é prazeroso, e sempre desejamos ter mais e mais recursos, e cada vez menos
disposição e compromisso com a generosidade.
Mas Deus, em seu plano maior, se fez homem e, na pessoa de Jesus, veio à Terra e
viveu entre nós. Em nada ele pecou; em seu coração ele nunca foi avarento. Disposto e
comprometido com um propósito maior, Ele foi generoso e deu em favor de seu povo:
seu corpo esmagado e seu sangue escorrido no madeiro pelos nossos pecados. Mas
Cristo ressuscitou e está vivo, nos dando a oportunidade de, pela graça dele, deixarmos
a avareza e sermos generosos.
(v. 8-9) Paulo diz que Deus concede toda graça aos coríntios, tornando-os aptos
em todos os tempos e recursos, para que transbordem em boas obras. Ele cita o Salmo
112, que enxergamos em Eleazar, um homem totalmente sustentado pela graça.
Por mais que não haja disposição em nosso coração ou mesmo que estejamos tão
limitados financeiramente que não consigamos se comprometer com mais nada, creia na
graça que sustenta e supre tudo para você realizar boas obras. Tenha fé que o mesmo
Deus que espera que você faça o bem te dará colheita em fartura. O mesmo Deus que
deseja ver alegria em seu coração na generosidade também te fará se sentir cuidado.
Deus não deixará te faltar nada, pois Ele fará justiça na vida dos generosos.
3. Está no serviço ministerial (v. 10-14)
(v. 10-11) O apóstolo deixa claro que Deus provê aquilo que os coríntios
semearem e todos os frutos de justiça. Por outro lado, para os que foram fartos pelos
frutos da colheita de semear, não acabou; o desafio é serem ainda mais generosos.
Muitos de nós estão vivendo lutas e adversidades na área financeira: alguns estão
enrolados por causa da avareza, em outros a escassez tem sido presente. Creia que é o
Senhor que provê tudo. Aquilo que você acha pouco hoje é o que ele proveu, e sua
missão é ser generoso nesse pouco. Disponha-se a contribuir, faça um compromisso de
ser constante nisso, pois a Palavra garante que Ele proverá os frutos da generosidade.
Para os que estão vivendo em fartura e conseguem ser generosos, lembrem-se de
que a colheita farta não é para você se perder e depender de suas reservas, mas o
desafio é você ser mais generoso. Talvez sua oração em algum momento da sua vida foi
dizendo que, quando você estivesse melhor financeiramente, faria mais pelos outros e
pela missão; então, faça. Semeie com fartura e alegria, porque o Senhor continuará
provendo.
(v. 12-14) Paulo conclui dizendo que o serviço ministerial tem duas frentes: suprir a
necessidade dos vulneráveis da comunidade de fé e manifestar adoração a Deus. Isso é a
amplitude do evangelho: generosidade gerando generosidade.
Por que contribuímos em uma comunidade de fé? Para que ninguém tenha falta
de nada. Sim, nem em todas as igrejas isso acontece. Mas, no nosso caso, com muito
cuidado, estamos tentando suprir a necessidade dos vulneráveis para que o evangelho
seja completo. E não só a necessidade física, mas até a necessidade espiritual tem sido
alcançada, porque irmãos se dispuseram e se comprometeram com essa missão.
Mas lembre também que sua contribuição, dízimo e oferta, tem a ver com
adoração. Mesmo que você já tenha se decepcionado com líderes e instituições que, na
sua percepção, falharam nessa área, lembre que sua generosidade é para adorar a Deus.
Precisamos parar de dar desculpas, pois nossa disposição e compromisso não é com as
pessoas, mas com Deus. Sirva a Deus com suas finanças e experimente o consolo de
Deus em meio a generosidade.