Categoria: Artigos
Data: 25/05/2026
Introdução/Contextualização
Os muros finalmente estão de pé. Foram cinquenta e dois dias debaixo de
ameaças de Sambalate, cartas falsas de Tobias e tentativas de intimidação que fariam
qualquer um desistir. O líder desse povo aguentou firme e, agora, há um sentimento de
vitória. Depois de 70 anos de exílio, de muita dor e sofrimento, e depois de o povo
trabalhar arduamente e investir tudo o que podia nessa obra de reconstrução, as nações
ao redor reconhecem que aquela obra foi feita pelo braço de Deus. É o momento em
que todo mundo quer celebrar, sentar na poltrona e dizer: "Ufa, acabou. Estamos
seguros!"
Mas, quando a poeira baixa e esse grande líder olha para dentro da cidade, o
cenário que ele encontra traz outro grande desafio. Os muros estão altos, mas as casas
por dentro continuam em ruínas. Tem muito espaço, mas quase ninguém para morar. Ele
percebe que a verdadeira reconstrução não era só as pedras lá fora. Se o povo relaxasse
agora, o inimigo não precisaria derrubar o muro; ele simplesmente entraria pelas portas
abertas. O líder tem consciência de que não adianta ter muros se houver brechas.
Sabendo disso, a primeira atitude desse governante é estabelecer líderes
estratégicos. Ele sabe que, para proteger o povo, precisa de lideranças que sejam
exemplos vivos de constância em integridade, temor e vigilância. E, mais do que serem
exemplos, esses homens, governadores e chefes de família precisaram se aprofundar na
história de seu povo para, a partir disso, se engajarem em doação, fazendo com que o
povo se inspirasse a fazer o mesmo. É com esse pano de fundo que vamos nos
aprofundar em Neemias 7.

1. É constante (v. 1-3)
Parece que está chegando o retorno de Neemias e, para isso, ele estabelece seu
irmão Hanani e Hananias, por ser alguém íntegro e temente a Deus (v. 1-2). Ele também
passa direções importantes sobre as portas, pois não adianta ter muros mas ter brechas
ou falta de sentinelas; Neemias tem consciência de que a vigilância é constante (v. 3).
Lembro-me de uma lição que minha mãe nos dava diante de tentações e possíveis
escolhas ruins: "Eu ensinei a vocês o que é íntegro e o temor a Deus; se escolherem
caminhos errados, a responsabilidade é de vocês, então vigiem”. Essas palavras me
inspiram até hoje.
Infelizmente, muitas famílias não vivem em lares inspiradores porque abandonaram
a integridade. Vemos filhos que mentem e enganam os pais; cônjuges que escondem
negócios ilícitos, criam dívidas ocultas ou são infiéis; e pais que não são firmes, aliviando
a responsabilidade dos erros dos filhos ao culpar terceiros e/ou transtornos, em vez de
ensinar com firmeza. Essa falta de integridade tem destruído nossos lares.
Mas a razão profunda de muitas casas não reconstruírem nada é a falta de temor a
Deus. Há jovens que acham que séries de mensagens sobre família não servem para eles,
esquecendo-se da responsabilidade dada por Deus para inspirar seu lar. Há cônjuges
que, por comodismo, fogem de orar e jejuar pela família. Há pais que dão péssimos
exemplos e terceirizam a fé dos filhos sob a desculpa de não saberem muito da Bíblia.
Há um recado urgente para os lares que caminham bem: não adianta ter muros se
as portas estão abertas. O problema é que muitos crentes, por parecer que está tudo
bem em suas casas, param de vigiar e não se movimentam pelo seu lar. Eles relaxam na
integridade, no temor e na vigilância até que a batalha chega, e então não conseguem
sequer entender como seu lar foi invadido e devastado.

2. Olha para a grande história (v. 4-69)
Neemias precisa encarar mais um problema: há muito espaço, mas pouca gente, e
muitas casas ainda precisam de reconstrução. Mas Deus deu uma estratégia: olhe para a
história! Neemias levanta a genealogia dos que retornaram do exílio (v. 4-7) e, ao
constatar que o registro de alguns sacerdotes não foi encontrado, afasta-os da função até
que se pudesse consultar o Urim e Tumim para ter a resposta de Deus (v. 63-64). O que
isso significa? Nós precisamos olhar para a grande história.
Quando Deus criou o ser humano, tudo era perfeito e iluminado, mas o homem
tentou tomar o lugar de Deus; com esse rompimento, a luz e a perfeição se foram,
restando o caos. Deus, então, separou um povo e instituiu o sacerdócio para restaurar
essa relação e trazer o perdão dos pecados através de sacrifícios. No peito, o Sumo
Sacerdote carregava o peitoral do juízo com as 12 pedras das tribos de Israel e as pedras
do Urim e Tumim, usadas para discernir a vontade divina. O problema é que o ser
humano é falho e, após muitos usos pecaminosos, essas pedras sumiram depois do
exílio. Por quê? Era hora do plano maior!
Deus se fez homem na pessoa de Jesus e, assim, assumiu a figura de sacerdote
(Hb 7.26-28). Em vez de sacrificar animais, ele se torna o cordeiro que se sacrifica para
pagar pelos nossos pecados e nos reconectar com Deus. Nele encontramos o Tumim (o
perfeito) e o Urim (a luz do mundo). Ao ressuscitar, Jesus nos deixou o Espírito Santo
como conselheiro, para habitar em nosso peito e nos orientar.
Assim, por mais que sua família esteja como a cidade de Neemias — com pouca
força, poucos recursos e sem estratégia —, olhe para o passado. Sim, olhe para as falhas,
para a triste realidade e para o quanto vocês se afastaram de Deus, mas lembre-se de
que essas tristes histórias estão graciosamente inseridas dentro de uma grande história
que cobre toda essa dor: a história de Cristo, por cuja graça contamos com seu conselho
e consolo em tudo. É por essa graça que podemos construir uma casa inspiradora.

3. Se engaja (v. 70-73)
Algumas lições que podemos refletir com a vida de Neemias e que podemos
aplicar para sermos uma família que inspira:
a) Sendo exemplo (v. 70). Chefes e governadores foram exemplos de doação, pois
uma família inspira pelo exemplo. Eu não sei qual é a sua posição em seu lar — se você é
pai, mãe ou filho —, talvez você tenha até mais de uma função; ainda assim,
independentemente de quem você seja no lar, seja exemplo. Seja exemplo na
integridade, seja exemplo no temor a Deus, seja exemplo como alguém que vigia e ora
pelo lar. Mesmo que os outros não tenham sido exemplo, você pode inspirar a sua casa a
ser melhor.
b) Perdendo pelo outro (v. 71). Os chefes de família acreditavam na reconstrução e
na proteção do lar e, assim, investiram o que tinha valor para eles. O que tem valor hoje
para você? O que o seu lar precisa que você invista hoje? Valores financeiros? Deixar o
orgulho de tomar todas as decisões? Assumir um trabalho que não é o que você gosta?
Um hobby? Privilégios? O que você precisa perder ou deixar para que o seu lar seja
completamente protegido e restaurado? Não importa se os outros estão fazendo ou não;
se o seu cônjuge, os seus pais ou os seus filhos não se doam ou nunca foram inspiradores
em perder pelos outros, comece você a inspirar, reconstruindo e protegendo o seu lar.
c) Investindo na missão (v. 72-73). A reconstrução completa não está só nos muros,
portas ou casas, mas está também na relação do povo com Deus e, para isso, precisa de
investimento. Uma família inspiradora investe na obra de Deus: primeiro, por gratidão ao
resgate de Deus em sua casa; segundo, para que a reconstrução e a proteção recebidas
possam alcançar outros. Deus estabeleceu os dízimos e as ofertas para que haja
mantimento em sua Casa. Templos precisam se manter, igrejas precisam ser plantadas,
missionários precisam ser enviados, irmãos em dificuldade precisam ser assistidos, a obra
social precisa ser feita e os obreiros precisam ser sustentados. A obra de Deus precisa ser
dignamente sustentada. Se você quer ter uma família inspiradora, invista na missão.

Autor: Pastor Kariston   |   Visualizações: 7 pessoas
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