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O credor incompassivo - Mateus 18:23-35
Sinopse da série
No começo de 2023 e de 2024, as temporadas da série Parábolas nos mostraram como a maneira predileta de Jesus ensinar era pelo uso de parábolas. A palavra Parábola deriva das raizes gregas: para (“ao lado”) e ballō (“lançar”), literalmente significa “colocar ao lado”, sugerindo uma comparação entre duas coisas que são semelhantes.
Em seu livro "Drama das Escrituras", o teólogo canadense Michael Goheen escreve: "As parábolas de Jesus são contadas para explicar o 'segredo' desse reino que apareceu entre eles de modo completamente inesperado." As parábolas ajudam aqueles que recebem a palavra de Jesus com fé, a entender a natureza do reino e como prosseguir a partir desse encontro. São histórias simples mas com ensinamentos confrontadores, consoladores e sábios.
A parábola de hoje está em Mateus 18.23-35, o credor incompassivo.
Contextualização do texto
É importante considerar duas coisas no contexto dessa parábola:
a) Essa é uma cena conhecida até hoje. Desde sempre temos pessoas que devem a outras, mesmo com pouco recurso; devedores também podem ser credores e ter pessoas que devem para eles. É o famoso "rolo": você paga quando o outro te pagar.
b) A parábola nasce de uma pergunta de Pedro: "Quantas vezes deverei perdoar a meu irmão… até sete vezes?" (v.21). Jesus responde: "até setenta vezes sete" (v.22). E antes que alguém possa ter um caderno com os nomes e os erros as pessoas cometem, Jesus conta a parábola mostrando que o perdão não tem a ver com quantidade mas com uma decisão de vida.
1- Acerto e prejuízo - v. 23-26
(v.23): Um rei acerta as contas com seus servos, não há como escapar.
Deus acerta as contas conosco! Ele nos confronta diante dos nossos caminhos maus, do ódio e rancor, dos pensamentos promíscuos, da corrupção que aceitamos. Ele acerta as contas dos passos que damos aqui, daquilo que fazemos escondidos dos nossos cônjuges, da explosão de fúria que manifestamos com nossos filhos e do desleixo com a obra de Deus. Todos nós prestamos contas das nossas vidas a Deus e temos que lidar com as consequências das dívidas que fazemos com Ele e com os outros.
(v.24-26): Agora, o interessante desse servo é que ele só reconhece a dívida e pede misericórdia quando está a ponto de perder tudo.
Muitos só buscam perdão no prejuízo. Há pessoas que não reconhecem os erros que cometem com Deus e com os outros. Aliás, reconhecem nas palavras, chegam a ter um certo remorso, mas o ego é tão grande, que teimam em estar certos, mesmo vendo que não estão. Não encontram coragem de pedir perdão de verdade, de se humilhar, de admitir que erraram e mudar o caminho. E, infelizmente, só reconhecem o erro quando a vida desmorona: quando perdem o casamento, quando os filhos se distanciam, quando a moral é corrompida, quando os recursos acabam, quando a vida espiritual está morta.
Quando tudo desmorona, é aí que resolvem reconhecer seus erros, mas pode ser tarde.
2- O maior perdão - v. 24-27
(v.24-26): Segundo o Rev. Hernandez Dias Lopes, um talento equivalia a 35 quilos de ouro, ou seja, dez mil talentos totalizavam 350 mil kg. Um homem ganhando um denário por dia precisaria trabalhar 150 mil anos para quitar essa conta. A promessa de pagar era impossível! Jesus usa essa hipérbole para entendermos o tamanho da nossa dívida. Mas que dívida?
No início de tudo, Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança. Mas, quando o ser humano resolve seguir de forma autônoma, o mundo entra em desordem e uma dívida é gerada. O pecado entrou por meio de um homem à imagem e semelhança de Deus, e a dívida só pode ser paga por um homem que seja à imagem e semelhança de Deus. Mas quem pode pagar essa dívida se todos já nascem devedores? E nessa infinita misericórdia, Deus deixa sua glória, se faz homem na pessoa de Jesus, veio habitar no mundo, em nada pecou e assumiu a dívida de todo aquele que nele crê (v.27).
Independente da quantidade de dívidas que fizemos, das consequências ou das feridas causadas em nós e nos outros, através do sangue de Jesus, todos temos nossas dívidas pagas. Não existe melhor nem pior; todos pecamos, todos devíamos muito, mas com fé no Jesus que morreu e ressuscitou, temos nossa dívida paga e um recomeço.
3- Perdão por perdão - v.28-35
(v.28): Aquele servo ataca alguém que devia para ele, exigindo que lhe pague; ele desconta a raiva de ter sido cobrado em vez de espalhar a misericórdia que recebeu.
Quer aprender a perdoar? Pare de descontar suas frustrações nos outros. Se você passou por algum momento difícil, se sentiu humilhado, quebrado, sem forças, não desconte em quem está à sua volta. Aja com misericórdia mesmo que não agiram com você com misericórdia. Pense no perdão de Deus, coloque Cristo na sua mente e, em vez de descontar sua mágoa com rancor, fofoca ou ódio, aja com perdão.
(v.28-30): A dívida que o homem devia para o servo do rei não era nada, se comparado com o que ele foi perdoado. Mesmo assim, ele endurece o coração.
Quer aprender a perdoar? Abandone o coração duro. Lembro de um familiar que compartilhou que odiava a sogra e a tratava mal. Eu disse que, como cristã, ela precisava melhorar isso. Ela não gostou desse confronto. Pedi perdão caso houvesse magoado e ela disse: "Não quero perdoar.” Há pessoas que guardam mágoas e rancores de tudo, endurecem seus corações e decidem não perdoar. Pare com isso hoje! Peça para Deus um novo coração, por mais que seja difícil, por mais que não seja sua vontade, perdão não é sentimento, mas é uma atitude que decidimos e desenvolvemos.
(v.31-35): O rei entrega o servo para tortura e a porta da misericórdia se fecha. Libere perdão hoje, porque, no fim, essa mágoa e rancor torturam você, te prendem àquela cena do passado. Abra seu coração para a porta da misericórdia. Deus te perdoou entregando seu filho Jesus; vá e faça o mesmo, perdoe.
Minha oração é para que Deus nos perdoe pelos caminhos tortos que trilhamos e ainda buscamos perdão quando tudo desmorona. Que Jesus nos lembre que, apesar de nós, não temos condição nenhuma de pagar nossas dívidas; Ele pagou todas elas na cruz. E que o Espírito Santo nos ajude a perdoar diante do tamanho do perdão que recebemos.