Categoria: Artigos
Data: 07/04/2024

"Eu jogo na cara mesmo” - 1ª Samuel 1.1-18

Sinopse da série

Essa série usa como panorama contextual um programa do SBT chamado "Casos de Família”. Nele se encontrava crises de famílias, claro, de uma forma leve, sarcástica, finalizada com conselhos de uma psicóloga, tudo dentro de um roteiro pré-estabelecido.

Esse programa lembra muito dos casos e crises que vemos hoje, até mesmo a pitada de humor, mas com um pequeno detalhe, não existe um roteiro combinado, o som é em lágrimas e algumas vezes parece que o fim é a tragédia. Mas isso não é de hoje, há séculos atras, famílias já encaravam os mesmos dilemas.

Nessa 2ª temporada da série “Casos de família”, refletiremos sobre o livro de 1ª Samuel onde encontramos narrativas de bastidores problemáticos dos círculos parentais. Palavras, ações, reações, decisões, situações que parecem inviabilizar os laços familiares.

Contextualização do livro

Os livros de Samuel são um registro da transição do período dos Juízes para a monarquia. Depois de Moisés (Êxodo a Deuteronômio) e seu sucessor Josué (Josué), são os Juízes que fazem a condução do povo (Juízes e Rute).

Porém eles vivem uma espiral, hora estão em Deus, hora se distanciam. O autor de Juízes vai explicar: “Naquela época não havia rei em Israel; cada um fazia o que lhe parecia certo” (Juízes 21:25).

Diante disso, Israel reivindica um rei, para imitar as nações ao derredor, afinal, parece que o problema é não ter rei. Deus levanta Samuel como o último juiz e o primeiro profeta nacional. Ele ungiu Saul, o primeiro rei e depois Davi, seu sucessor.

Mas os registros de Samuel deixam algo muito claro segundo Tim Chester: "O verdadeiro problema não foi a ausência de um rei, mas a ausência de obediência a Deus como rei.”.

Essa é a tese de nossa série, pois muito pensam que os casos de família 1hoje, são geradas pela falta de recursos ou pelas dificuldades, quando na verdade, as famílias continuam não aceitando ser conduzidas por Deus e pela vida de Jesus. Assim, em 1ª Samuel 1.1-18, o caso de família que encontramos é : "Eu jogo na cara mesmo”.

1- A disfunção nasce na fulga do propósito - 1-8

Nesse contexto, a poligamia era tolerado (v.1-2) como em alguns países são permitidos até hoje, mas é importante dizer que isso é um fruto da queda e não uma ordenança divina (Gênesis 2.24), tanto que essa exposição mostra a fonte do problema. Olha só, Elcana ama mais Ana do que Penina, porque nosso coração não é um HD que compatibilizamos igualmente (v. 3-5).

Penina sabia disso, então ela jogava na cara que Ana não podia ter filhos (v.6). Ana se entristecia e vivia frustrada por ser lembrada de sua limitação, jogando na cara de Elcana sua dor (v.7). Elcana tentava ao máximo deixa Ana bem, apesar de ele mesmo fomentar essa provocação de Penina. E para consolar Ana, ele joga na cara dele perguntando se ele não é suficiente para ela (v.8).

Muitas vezes fugimos do propósito divino e a consequência é a disfunção familiar. Se você ama seus filhos, valoriza e os trata bem, mais faz isso mais que para seu cônjuge, sendo que os cônjuges são uma só carne, não pais e filhos, com certeza, você terá uma disfunção em sua família. Se você filho, honra ou demonstra amor à um dos pais, mais que para o outro, ou ainda, honra os avós, amigos, namorado(a) e não honra seus pais, isso trará uma disfunção familiar.

Se você cuida dos problemas dos parentes, pais, irmãos, filhos, acima dos problema do seu cônjuge, ou até mesmo, você fala dos seus próprios interesses e não se preocupa com os interesses do seu cônjuge, que é um só com você, segundo o propósito de Deus, com certeza, há uma disfunção em sua família.

Sabe o que gera essa disfunção? Vivemos jogando na cara um dos outros nossas frustrações. Como Penina, muitas vezes você é a pessoa que olha para seu cônjuge e diz que ele(a) não tem moral para decidir nada em casa, porque você ganha mais e sustenta a casa. Ou como Penina, você é o jovem que olha para seus pais e joga na cara que seria muito melhor morar com os avós, ou ser filho de outra família, porque eles não tem a condição de dar as coisas que você gostaria de ter.

Outra disfunção que temos é como Ana, que diante da frustração de uma infância pobre, você joga na cara de seu cônjuge que agora vocês precisam dar todo o conforto pro seus filhos. Ou como Ana, por ter sido desprezado(a) em algumas circunstâncias, você vive se vitimizando, jogando na cara que seu cônjuge, seus filhos ou seus pais não te amam por discordarem de você. Mas outra disfunção é como Elcana, que joga na cara do cônjuge perguntando se você e seu amor não são suficientes para ele(a), diante das dificuldades que ele está enfrentando. Ou como Elcana, que pensa que por muito cuidar, por amar mais, pelos seus presentes, o familiar não tem direito de se frustrar diante das dificuldades.

Viver “jogando na cara” é um indício preocupante que algo em sua família está disfuncional, e a razão pode ser a fulga do propósito divino.

2- Quebrando o ciclo com oração e propósito- 9-11

Mais um ano e Ana sobe ao templo para adorar. E com toda a amargura dos anos em que Penina jogou na cara a esterilidade dela e que Ana também jogou na cara de Elcana a sua frustração, naquele dia, Ana decide quebrar o ciclo entregando aquela humilhação em oração ao Senhor (v.9-10). E em sua oração, Ana faz um voto, que se ela engravidasse, o menino iria crescer sem passar a navalha na cabeça (v.11).

Esse voto era bem conhecido de todos por ser uma direção divina descrita nas leis de Moisés, que expressaria alguém visivelmente consagrado ao Senhor (Números 6.5). Nesse caso, todos saberiam que Ana teve um filho com um prazo determinado. Por isso, esse voto de Ana não é sobre troca mas é sobre dispor a humilhação para um propósito. Talvez a pergunta que fica é: Por que nos desviamos do propósito de Deus sabendo da disfunção que isso gera em nossas famílias e em nós?

Deus criou o ser humano e projetou a família para viverem em harmonia. Mas a humanidade decidi ser o próprio senhor de suas decisões, o resultado, disfunção. Na história, Deus sempre está em direção do ser humano, mas o ser humano sempre quer ser seu próprio senhor. Deus então, enviou seu filho Jesus, aquele que é Senhor e Rei, ele se fez servo, assumiu o nosso lugar, morreu na cruz e ressuscitou, para transformar as humilhações que causamos ou que sofremos em propósito, para nos trazer de volta.

Assim, quebre o ciclo da disfunção. Não são poucas vezes que ouço: “Pastor, eu joguei na cara com força, mas…”, deixa eu te dizer algo, alguém precisa quebrar o ciclo. “Ah mas foi ele que começou”. Não importa quem começou, se alguém não decidir quebrar esse ciclo, essa conversa de "jogar na cara” vai acabar com vocês. E sabe como quebra esse ciclo? Oração e propósito. O ciclo da disfunção é quebrado na oração incessante pela sua família, colocando diante de Deus as humilhações e as feridas.

Mas também é quebrado no propósito, quando você pai e mãe compreende que seus filhos não existem para cumprir sua carência ou traumas mas para servir a Deus nesse mundo. Ou que você jovem precisa entender que seus pais não existem para dar tudo que você quer mas para um propósito maior.

Oração e propósito, ressignificados na vida Jesus, são as chaves para curarmos nossas famílias dessa desfuncionalidade humilhante do “jogar na cara”.

3- Pela fé, trilhe a estrada sorrindo - 12-18

Um outro personagem surge, Eli, um juíz. Ele não é da família de Ana, mas será um personagem importante para as próximas reflexões. Fato é que diante do clamor sincero, o profeta julga Ana como se ela estivesse bêbada (v.12-14). Ana explica que ela só está muito atribulada, derramando sua alma nos pés do Senhor, é o excesso de angustia e tristeza com sua família (v.15-16).

Eli, sem graça, só deseja que Deus conceda a petição de Ana e esse pouco é suficiente para ela continuar e sorrir novamente (v.17-18). Uma lição que precisamos tirar daqui é sobre julgar menos a intenção dos nossos familiares. Nós sempre pensamos o pior das pessoas. Eu sei, tem alguns que aprontam muito e se torna difícil confiar. Mas é um fato também, que muitos de nossas brigas são em razão de deduzimos o que o outro pensou sem mesmo perguntar.

“Pastor, eu conheço essa praga, é certeza que quis dizer isso”, então, nem sempre o que parece realmente é, na dúvida, pergunte antes de acusar, converse antes de decidir. Esse texto também nos revela que o lugar certo para trazer toda a sua angustia e toda a sua tristeza é diante de Deus.

Não adianta você ficar contando para todo mundo sobre os problemas de sua família, tem gente que nem vai entender e ainda achará que você está exagerando, isso quando não dão conselhos opostos ao propósito de Deus que geram em você uma terrível confusão. Por isso, o lugar certo de derramar seu coração é aos pés de Jesus. Quer desabafar? Precisa falar? Desabafe diante de Deus, conte com líderes espirituais, irmãos de fé maduros que poderão trazer bons conselhos.

Por último, tenha fé sorrindo novamente. Muito provavelmente você vai sair daqui e talvez você tenha que lhe dar com as disfunções que sua família está vivendo. Ou ainda, lhe dar com algum familiar “jogando na cara” alguma coisa. Pela fé, trilhe essa jornada sorrindo. Mesmo que as coisas ainda permaneçam difíceis, mesmo que ainda há uma disfunção em sua família, mesmo que a angustia e a tristeza ainda são sentimentos em seu coração, Jesus te traz de volta ao propósito maior, creia que sua petição não é atoa e que Deus irá atender.

Creia que Deus está realizando uma obra na vida de seu cônjuge, de seus filhos, de seus pais, na sua e por mais que demore e você não veja, Deus está ouvindo seu clamor e no tempo certo, algo irá mudar.

Reconheça as disfunções, que a cruz te apresente o propósito e que nessa trilha você sorria pela fé.

Minha oração é que Deus nos perdoe por trocar seus propósitos por nosso jeito e na disfunção vivermos “jogando na cara” de nossos familiares nossas frustrações. Que Jesus nos leve de volta ao propósito maior. Que o Espírito Santo coloque um sorriso em nosso rosto nessa jornada familiar.


Autor: Kariston Fiori   |   Visualizações: 196 pessoas
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