Categoria: Artigos
Data: 19/01/2026
Introdução/Contextualização
Um pastor presbiteriano dos anos 50, recebe a informação de que
uma das igrejas 
que plantou e pastoreia, está se voltando para os
mesmos erros de antes da conversão. A 
situação é grave: ele
soube que um jovem daquela comunidade mantém uma relação
conjugal com a própria madrasta e ninguém se importa; estão
inertes.
O pastor daquela igreja pretende visitá-los, mas seu coração está
angustiado. Seus 
olhos estão em lágrimas pela situação daquela
igreja e, diante da urgência, ele decide 
enviar uma carta, com
palavras duras, como um pai que disciplina por amar seus filhos.
Ao chegar a data da viagem para visitar aquela igreja, o pastor
decide cancelar 
com receio de gerar algum tipo de confronto
pessoal e mais tristeza.
Então, ele segue para Trôade. E mesmo com boas oportunidades
ali, o alívio vem 
no encontro com seu seminarista na macedônia.
Tito contou que a igreja finalmente havia 
despertado e
confrontado o rebelde. Mas havia um novo problema: o homem
que 
causara a confusão agora estava profundamente arrependido
— aliás, era esse o objetivo 
no coração daquele pastor —, mas a
igreja se tornara rígida e se recusava a reintegrá-lo.
Com lágrimas nos olhos, o pastor chamado Paulo vai explicar à
igreja de Corinto 
que o objetivo final não é ser verdadeiramente
duro com as pessoas, mas sim que esse é 
o caminho para algo
maior: o espalhar da verdade com amor e do perdão. Essa é a
fragrância de Cristo que o pastor sempre desejou para os
coríntios e na qual vamos nos 
aprofundar em 2 Coríntios 2.

1. Mostra a falta de amor e perdão (v. 1-9)
(v. 1-4) Paulo compreende que as palavras de sua última carta
foram severas, mas 
todas essas verdades foram escritas com
lágrimas, aflição e tristeza; tudo foi para 
demonstrar um
profundo amor.
Existem muitas relações começando o ano totalmente
desgastadas, pessoas 
feridas e se afastando de você porque
você fala a verdade sem amor. "Ah, pastor, eu só 
falo a
verdade para demonstrar amor". É mesmo? Será que sua
verdade é dita com 
lágrimas nos olhos ou com raiva? Com
tristeza ou com orgulho? Aflito ou sentindo alívio 
pelo vomito
derramado? Se as verdades que você tem dito não são
acompanhadas de 
lágrimas, aflição e tristeza, desculpe, isso não
é por amor; isso é pelo seu ego.
(v. 5-9) Concordo com o teólogo João Calvino quando ele diz que
Paulo está 
lembrando da situação de 1 Co 5, onde o apóstolo
confrontou a igreja para disciplinar o 
incesto praticado por um
jovem. O problema é que, agora, essa mesma igreja não 
perdoa
o rapaz, e a preocupação de Paulo é que esse homem viva em
uma tristeza 
excessiva. Paulo espera que a igreja ouça e
obedeça ao que ele está ensinando.
Tenho visto gente que não quer obedecer à Palavra que ensina
sobre perdoar e 
amar o arrependido. No ambiente familiar,
vivem apontando erros do passado pelos 
quais já houve
arrependimento.
Nas relações profissionais, difamam e fazem de tudo
para 
prejudicar a pessoa que errou, mesmo quando ela se
arrependeu. Na igreja, julgam e 
desejam com "sangue nos
olhos" a disciplina, mas não têm a mesma alegria na 
restauração. Sabemos que estamos errados, mas a
verdade é que queremos seguir 
nossos sentimentos e não
a Palavra.

2. Nasce do perdão da cruz (v. 10-11)
(v. 10-11) O que precisamos compreender que Paulo está
ensinando é que, na 
verdade sem amor e na falta de perdão com
quem se arrepende, é onde o diabo 
encontra vantagem sobre a
igreja de Corinto; é onde ele encontra brecha para ferir o 
povo
de Deus. É no lugar da desobediência e do coração endurecido
que ele age.
Aliás, isso não é de hoje. No início de tudo, não existia pecado
algum na 
humanidade, desde que obedecessem a Deus. Então
o diabo, sem poder atingir o ser 
humano diretamente, tirou
vantagem da desobediência e, nisso, o caos habitou no 
mundo.
Vivemos mergulhados em verdades que ferem e na falta de
perdão.
Mas Deus, em sua infinita misericórdia, enviou seu Filho, Jesus.
Ele viveu entre a 
humanidade pecadora e em nada errou; foi
obediente a Deus em tudo. Falou a verdade 
com amor e, por
isso, foi crucificado. Ali, Ele oferece perdão para os que o
crucificaram 
fisicamente e para os que o crucificam
espiritualmente. Nele, todos os pecados — os 
seus, os meus,
os daqueles que fazem mal ao mundo e a nós — são perdoados.
Então, sim, é impossível sermos verdadeiros com lágrimas, e mais
impossível ainda 
perdoarmos pela nossa própria força de vontade.
Mas é pela verdade que Ele nos fala 
com amor incondicional, é
pelo perdão dos nossos pecados, mesmo quando cometemos 
os
mesmos erros, que podemos amar e perdoar. É pelo sangue de
Cristo e sua graça em 
nós que abandonamos os sentimentos e
obedecemos o mandamento de amar e perdoar.

3. É espalhada por nós (v. 12-17)
(v. 12-13) Paulo diz que Deus abriu uma porta em Trôade, mas o
coração dele só 
descansou ao encontrar Tito, que traria notícias de
Corinto diante de sua severa carta. 
Todavia, duas lições podemos
tomar desse texto:
a) Deus é quem abre as portas. Pare de querer abrir portas em
suas relações à 
força, achando que com gritos e brutalidade você
irá convencer as pessoas do caminho 
de Deus. Ore a Deus para
que a pessoa receba a verdade com amor. Ore a Deus para 
que
as portas do seu coração, ou daquele que foi magoado, se abram
para o perdão. Por 
outro lado, não seja omisso quanto às portas
que Deus abriu. Se houve oportunidade 
para dizer a verdade,
fale com amor. Se houve oportunidade de perdão, perdoe.
b) Há momentos em que nosso coração precisa mais das pessoas
do que das 
grandes oportunidades. Todos viveremos situações em
que portas imensas se abrem, 
mas, às vezes, o nosso coração
necessita de pessoas. Não adianta termos sucesso na 
missão que
Deus nos dá se o nosso coração está angustiado pelas pessoas
que ficaram 
no caminho. Aqui não é um mandamento, mas uma
consciência das escolhas.
(v. 14-17) O apóstolo encerra dizendo que somos a fragrância de
Cristo tanto para 
os salvos quanto para os perdidos, pois nossas
atitudes que imitam a Cristo revelam 
morte para os distantes de
Deus, mas revelam vida para o povo de Deus. E como 
espalhamos
essa fragrância? Não negociando a Palavra e vivendo como
discípulos.
Precisamos tomar a decisão de ser consolo de Deus em meio ao
sofrimento dos 
outros, sendo verdadeiros com amor e perdoando
quem nos machucou, ou se 
negociaremos a Palavra em benefício
dos nossos sentimentos. A discussão não é se é 
fácil ou difícil; a
discussão é se queremos ser aqueles que espalham, neste mundo
caído, 
o bom perfume de Cristo. Para quem está sem Cristo, essa
conversa revela condenação.
Mas, para aqueles que estão em Cristo, verdade com amor e
perdão são vida.

Autor: Pastor Kariston   |   Visualizações: 120 pessoas
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